Eu Dou-te o Sol, por Jandy Nelson
Leituras

Eu Dou-te o Sol | Resenha

Fevereiro 28, 2019

5 estrelas

5/5 estrelas

 

Finalmente venho partilhar convosco o que achei da obra Eu Dou-te o Sol, de Jandy Nelson, uma das minhas leituras favoritas de 2018, a par de A Única Memória da Flora Banks e Mailbox. Para lerem as respetivas resenhas, basta seguirem os links dos títulos.

Sinopse

Jude e Noah são dois irmãos gémeos com uma ligação muito especial, mesmo com personalidades bastante diferentes. Jude é extrovertida e dá-se com os grupos mais populares, enquanto Noah é mais solitário e adora desenhar. No entanto, vários acontecimentos ameaçam afastá-los até que o laço se quebra de vez após um acidente trágico. A sua vida dá uma volta de 180º e as personalidades parecem inverter-se, até que Jude conhece um rapaz diferente de todos os outros e um novo mentor de escultura que a fará aperceber-se de que nem tudo está perdido. Entretanto, Noah luta contra os seus próprios demónios, os quais envolvem um jovem atraente seu vizinho pelo qual não consegue evitar apaixonar-se.


Logo para começar em grande, a capa deste livro é linda e artística, tal como sugere a história.

Livro Eu Dou-te o Sol

Escrita peculiar que nos faz sonhar

Através das descrições que a autora faz, principalmente do que vai na cabeça das personagens, entramos num mundo criativo e surrealista de ideias abstratas, mas pertinentes. É um tipo de exploração incrível, pois possibilita-nos o acesso a todo o tipo de devaneios, até mesmo os mais esporádicos e um pouco estranhos e irreverentes, que se insinuam em nós e despertam algo inexplicável. Por mais diferentes que sejamos, é impossível não sentir uma proximidade e uma empatia crescentes por Jude e Noah.

Particularmente interessante, é a forma como se criam imagens mentais do que Noah deseja pintar em determinado momento, assinaladas entre parênteses. Acho que se trata de uma composição textual que acrescenta dinâmica à narrativa e que possibilita uma melhor compreensão do estado de espírito da personagem.

A sua escrita prendeu-me pela diferença e originalidade logo desde as primeiras páginas. É refrescante! Com metáforas e comparações muito inteligentes que apelam aos sentidos, especialmente ao da visão, faz com que o leitor imagine a narrativa de uma maneira figurativa que nos faz embrenhar ainda mais nela. Para além disso, em vez de deixar logo tudo explícito, prefere que seja a personagem a contar o que sente e o que vê da sua perspetiva, utilizando com mestria figuras de estilo que acabam por misturar imaginação e realidade de uma maneira quase mágica.

Como às vezes consigo ver a alma das pessoas quando as desenho, sei o seguinte: a alma da mãe é um girassol enorme tão grande que quase não tem espaço no corpo para os órgãos. Eu e a Jude partilhamos a alma: é uma árvore com as folhas em chamas. A alma do pai é um prato com larvas.

 

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Sim, de início pode parecer estranho, mas Eu Dou-te o Sol depressa se torna um livro encantador. Nunca conheci personagens com uma mente tão interessante e criativa. É como conhecer um novo mundo sem sair da cabeça delas, pois é lá que se passa realmente a ação. Dá vontade de conhecer pessoalmente estes irmãos em carne e osso e de torná-los os nossos melhores amigos.

As associações inusitadas, as ideias espalhadas, difusas, aos encontrões e desemparelhadas, tudo isto cria uma teia firme e complexa de emoções à flor da pele. É um texto simultaneamente desafiante, imaginativo e reconfortante. Leva-nos a refletir sobre o que faz de nós únicos e sobre a maneira como somos tão diferentes e tão semelhantes em tantas coisas. Cada frase é uma obra de arte em si mesma, pelo que me leva a crer que a autora é a verdadeira artista nesta história.

Não sei como, mas acontece: um quadro é o mesmo que sempre foi e completamente diferente de cada vez que se olha para ele. A Jude e eu agora também somos assim.

 

Duas vozes, dois tempos

Também gostei bastante da maneira como a autora foi narrando, saltitando entre as perspetivas de Noah, com 13 anos de idade, e de Jude, com 16. É como se, quando um está perdido, o outro ficasse com o dever de contar a história de ambos. Para além disso, os pormenores sobre o contexto em que se inserem são dados de forma muito subtil e natural, ao contrário de muitos autores que dão uma apresentação inicial demasiado direta e forçada. A autora conseguiu, assim, aproveitar astutamente momentos específicos para inserir a caracterização de uma maneira credível e nada enfadonha.

Corremos à velocidade da luz até ganharmos altitude, afastarmo-nos do chão e rasgarmos o ar, em direção às estrelas.


Foi um livro muito difícil de acabar, pois  não queria virar a última página e aperceber-me de que ia deixar aquele mundo para trás. Ainda hei de o reler um dia e aconselho-vos vivamente a dar-lhe uma oportunidade também. Não se vão arrepender!

Eu Dou-te o Sol Bookcard

Cliquem aqui para comprar com 10% de desconto e portes grátis! Ao comprar através deste link ajudam a que o blogue cresça cada vez mais. Obrigada!

1

Only registered users can comment.

Comenta aqui!