A única memória da Flora Banks
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A única memória da Flora Banks | Resenha

Agosto 29, 2018

A única memória da Flora Banks será, muito provavelmente, um dos meus livros favoritos do ano! Por isso mesmo, achei que merecia um artigo só para ele, apesar de já o ter referido antes. Podem ver aqui o meu artigo sobre os livros que comprei na Feira do Livro de Lisboa este ano.

A única memória da Flora Banks, por Emily Barr

Flora Banks é uma rapariga de 10 anos num corpo de 17. Possui amnésia anterógrada, ou seja, mantém a mesma capacidade intelectual, habilidades e memórias que tinha antes da lesão. É capaz de se recordar muito bem das coisas durante horas, mas chega a um ponto em que estas desaparecem e sente-se repentinamente confusa. Não consegue aprender coisas novas. É com esta condição que Flora vive até que um beijo fica indelevelmente marcado na sua mente. A partir daí, começa a busca pelo seu novo amor, que partiu de viagem para Svalbard, no Ártico. Munida do seu caderno de memórias e da sua caneta de tinta permanente, que usa para gravar na sua pele aquilo de que se deve lembrar, Flora tem de parar constantemente para perceber o que estava a fazer e por que razão, seguindo as pistas do mundo que a rodeia e aquelas que deixou para si própria. Será o beijo a cura para a sua condição?

Não sei para onde ia, mas isso não importa. Estou feliz, aqui, neste preciso instante. Sou uma rapariga no meio da neve, maravilhada com os flocos de brancura que dançam no ar à minha volta. Estou num lugar lindo e está a acontecer uma coisa maravilhosa Nada mais tem importância.

Estou presente no momento. Viver no momento enquanto posso devia ser uma das minhas regras para a vida. Não é preciso ter memória para viver no momento.

Esqueço-me de que alguma vez me esqueci de alguma coisa. Quando os flocos se tornam mais pequenos e as nuvens começam a deslizar para irem nevar num outro sítio mágico, sinto-me como se tivesse dormido uma noite inteira. Estou cheia de energia e pronta para tudo.

 

Emily Barr consegue capturar um problema mental complexo e as emoções que advêm dele de uma forma tão magnífica que até faz arrepiar! Colocar-me na pele desta personagem foi uma experiência sem igual e sinto-me grata pelo excelente trabalho desta escritora. Faz-nos ver o mundo de uma perspetiva completamente nova que nos traz muitas lições de vida. Faz-nos perceber que as pessoas com este tipo de amnésia podem ter uma vida normal. Para além disso, a maneira como a personagem encara a vida e nunca desiste apesar de todas as dificuldades é verdadeiramente inspiradora.

E nós, que temos uma memória saudável, somos capazes de nos prender constantemente a limitações absurdas. Arranjamos sempre uma desculpa ou uma justificação para tudo, quando o que devíamos fazer era seguir mais vezes os nosso impulsos, viver a vida, viver o momento. E, igualmente importante, nunca perder a criança que existe dentro de nós.

É um livro que se lê super rápido – pois não conseguimos ficar muito tempo sem o fazer – e que nos permite refletir e apreciar mais a vida. Fiquei deliciada com esta leitura, até porque sempre achei as histórias que tocam no tema da memória muito interessantes e desafiantes. Aconselho vivamente como companheiro de férias!

Já tinham lido alguma obra desta autora?

 

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