Leituras

Apenas Um Dia | Resenha

Outubro 29, 2017

Apenas Um Dia é um daqueles livros que mexem connosco de uma maneira muito especial. Se Gayle Forman ainda não se tinha tornado uma das minhas autoras favoritas, depressa o conseguiu com os seus últimos livros. Conquistou-me irrevogavelmente e este é um dos romances que mais recomendo.

Neste livro, entramos no mundo de Allyson, uma jovem que acabou o secundário e parte numa viagem pela Europa com os colegas. Nada lhe parece prender muito a atenção, até que conhece um rapaz que a convida para assistir a uma peça de Shakespeare ao ar livre: Noite de Reis. Fica encantada, mas a viagem está quase a chegar ao fim e amanhã terá de voltar para Londres com a sua melhor amiga Melanie. Por acaso do destino, voltam a encontrar-se no comboio e é na estação de Marylebone, Inglaterra, que ela confessa a sua tristeza por não ter visitado Paris, devido ao cancelamento dos voos. Willem, o rapaz misterioso que acabou de conhecer, faz-lhe uma proposta irrecusável: visitar Paris com ele por um dia. Allyson, cansada de ser criticada por ser demasiado bem comportada e nada aventureira, desta vez decide atirar-se de cabeça e agarrar a oportunidade com ambas mãos. Agora é Lulu, alcunha que Willem lhe deu devido à sua parecença com Louise Brooks, e sente-se mais corajosa com esta nova identidade. Mal sabia ela que viria a alterar completamente a sua visão do mundo e perceber que tanta coisa pode acontecer num só dia.

Fico a olhar de boca aberta para o Sena, onde a brisa gera pequenas ondinhas, onde o sol do fim de tarde impõe reflexos luminosos. Em toda a extensão do rio, vê-se uma séries de pontes de arcos, quais pulseiras chiques decorando um braço elegante.

 

Adorei este livro e senti cada momento como se realmente fizesse parte da vida de Allyson. São retratadas pessoas reais e dificuldades com que facilmente nos identificamos. Deu-me vontade de viajar, de sair da minha zona de conforto e partir para o desconhecido, perder-me numa cidade e ver o que aconteceria a partir daí. É um romance muito bem construído e nota-se claramente uma evolução: parece que crescemos com as personagens e com os seus dissabores. No final, o importante é não desistir do amor e da esperança. Às vezes, seguir o coração pode levar-nos por caminhos difíceis, mas a recompensa torna-se mais preciosa ao atingirmos a meta por que tanto ansiávamos. Tal como diz na sinopse do livro, “Apenas um Dia fala-nos de amor, mágoa, viagens, identidade e dos imprevistos do destino, mostrando que, por vezes, para nos encontrarmos a nós próprios, temos de nos perder primeiro… e que a pessoa que procuramos talvez esteja mais perto do que imaginamos.”

Andas a experimentar diferentes identidades, como as personagens de Shakespeare. Além disso, as pessoas que fingimos ser estão dentro de nós. É precisamente por isso que podemos fingir que somos essas pessoas.

 

Como livro que revolve em torno das obras de Shakespeare, também fiquei ainda mais curiosa sobre esta referência mundial. É por isso que ando agora a ler algumas das suas tragédias, incluindo Hamlet, O Rei Lear e a famosa Romeu e Julieta. Valem realmente a pena e ainda podemos aprender muito com elas, até porque a sua crítica de costumes nunca deixa de se aplicar às sociedades atuais.

Para lerem um excerto desta obra no site da Editorial Presença, basta clicarem aqui.

 

Título Original: Just One Day

Editora: Editorial Presença

Edição: 2.ª edição, Lisboa, fevereiro, 2016

Coleção: Diversos

 

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